127 - Fernando Pessoa


(Fernando Pessoa visto por Almada Negreiros)
Ás 15,20h do dia 13 de Junho de 1888, nasce no nº. 4 do Largo de S. Carlos em Lisboa, Fernando António Nogueira Pessoa, que viria a ser considerado um dos maiores poetas portugueses integrador do movimento literário que se designou por modernismo.
Pessoa é um tanto confuso desde logo pela dispersão da sua personalidade por cinco identidades com “percursos de vida” e sentimentos diferentes, entre si.
Embora se considere terem sido concebidos em 1914, os seus heterónimos a verdade é que já em 1894 (com apenas 7 anos) terá criado o seu primeiro heterónimo de nome “Chevalier de Pas”, facto que terá relatado a Adolfo Casais Monteiro, numa carta datada de 1935, em que fala sobre a origem dos heterónimos.
- Ricardo Reis, (natural do Porto 1887) médico e monárquico, poeta do eterno-transitório:
“Breve o dia, breve o ano, breve tudo.
Não tarda, nada seremos
Isto, pensado, me de a mente absorve
Todos mais pensamentos.
O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,
Que, inda que mágoa, é vida.
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- Alberto Caeiro, (n 15/4/1889) nascido em Lisboa cedo foi viver para o campo. De pouca instrução, ligado à natureza é avesso a todas as manifestações filosóficas descrê da existência metafísica da alma.
Manifesta-se assim em “ O Guardador de rebanhos”

“Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse,
Minha alma é como um pastor
Conhece o vento e o sol.”
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- Álvaro de Campos, (natural de Tavira 1890) poeta futurista.
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Eia! eia! eia!
Eia electricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
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- Bernardo Soares, talvez o heterónimo menos conhecido, autor de “O Livro do Desassossego” dividido em trechos numerados, com prefácio de Fernando Pessoa.
De Bernardo Soares o próprio Pessoa diz ser apenas meio heterónimo já que a sua personalidade se identifica com a do seu criador.
O Livro do Desassossego – trecho nº. 13:
Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é – creio bem – uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.
- Fernando Pessoa, publicou em vários jornais e revistas mas a sua obra ”Mensagem” é publicada em livro ainda em vida do autor (1934) obra a que foi atribuído o prémio “Antero de Quental”
Por ocasião da sua morte os jornais limitaram-se a noticiar que: “desapareceu uma figura singular da Literatura Portuguesa”.
Em “Cadernos de poesia” foram publicados alguns trabalhos ináditos de Fernando Pessoa, e em 1945, Luis de Montalvôr, inicia a publicação das “Obras Completas de Fernando Pessoa” em 11 volumes.
Oficialmente adoptado para o ensino em 1959, o livro "Mensagem" termina com o mais polémico poema:
“Nevoeiro”
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Morre em 1935 com 47 anos de idade, vítima de uma cólica de fígado. Os seus restos mortais repousam hoje no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa.
Pessoa visto por Lima de Freitas, no painel de azulejos decorativos que concebeu para a gare da Estação do Rossio.
Inspirou-se o pintor Lima de Freitas, na faceta esotérica do poeta criador de mitos, como Pessoa se descreveu a si próprio, ao centro o Terreiro do Paço com o café Martinho da Arcada, o céu de esferas e estrelas e um número infinito de universos, as suas ligações cabalisticas, o ocultismo, o simbolismo, o misticismo, salientando-se ao centro e em baixo, a figura jacente de Rosenkreutz, criador da Fraternidade Rosa-Cruz.

3 comentários:

O Guardião disse...

O brilho que deu às nossas letras e a variedade de temas que abordou e interesses intelectuais que demonstrou, tornaram-no um dos grandes vultos da língua portuguesa.
Cumps

XICA disse...

Nã tenho mais palavras, enciclopédia ambulante!

Susete Evaristo disse...

Guardião
Quando das comemorações do centenário do nascimento do poeta dizia-se(Tanto Pessoa já enjoa)na verdade foi tão vasto o programa das comemorações que saturou um pouco mesmo aqueles que o apreciam. Agora com outros olhos e lendo com alguma atenção os poemas que nos deixou atrevo-me a colocá-lo lado a lado com o poeta que lhe faz companhia nos Jerónimos.
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Amiga Xica, Pois faltaram-te as palavras ao veres as quantas burrices que publiquei estava mesmo dislexica, ou foi da hora a que escrevi ou foi da soneira com que já estava. Agora parece que corrigi mas a madrugada também vai alta se os erros continuarem apresento as minhas desculpas.