Não foi novidade, eu sei que sou assim...
Mais, eu sei que sou teimosa, orgulhosa, vaidosa e tudo o mais que inventarem. Mas mas sou feliz e gosto muito de mim. Se eu não fosse assim, como podia gostar dos outros?
Não tendo nada contra esta classe de trabalhadores, acho até que a instabilidade dos postos de trabalho são uma das consequências deste estado de coisas.
Enquanto em alguns países se luta e se morre por um copo de água, nós aqui desperdiçamos um bem tão precioso em situações que se poderiam de facto evitar. E é assim que quase todos os fins de semana se vê limpezas de carros, à mangueirada, efectuadas a porta de casa com água da torneira.
Noticia de 1ª página: O preço do pão vai ter que aumentar cerca de 50 por cento. O alerta é da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares que justifica o aumento como a única forma para que as empresas de panificação não fechem as portas. 50% de aumento do pão? Só espero que haja engano na notícia e que este aumento seja no tamanho e não no preço ! Até parece que se esqueçem que Marie-Antoinnette rainha de França, acabou no cadafalso. Conta-se que uma vez quando alguém lhe chamou a atenção de que os pobres não tinham pão, ela terá respondido: "Não têm pão comam bolos"! Arrisquem, arrisquem que depois não haverá comtemplações... nem cravos.
Tive a sorte de nascer no seio de uma família, parca naquilo com que se compram os melões, mas muito rica em conhecimentos, embora autodidatas. 
Agora que tanto se fala em PPRs - privados e públicos, (nas noticias é quase primeira página) em que guardando 50€/mês ao fim de 65 anos (uma vida inteira) teremos a quantia necessária para pagar o caixão, confesso que nunca consegui poupar. Seja porque tenho vícios caros, seja porque ganho pouco. Depende do ponto de vista. Aliás, nem quando era criança eu não conseguia poupar nem um tostão. É que o meu vício que mostrarei a seguir, já me tinha apanhado. Este mealheiro que guardo com carinho, não era meu mas de minha irmã. Apesar de ter na ilustração uma menina de mini saia, garanto-vos que tem mais de 60 anos.
Enquanto por cá, algumas cabeças pensantes defedem a integração de Portugal na vizinha Espanha, os cidadãos da Galiza reivindicam o direito de ver a Televisão Portuguesa, de acordo com o que foi hoje noticiado no Jornal das 20.00h.
Este par de jarrinhas, pertença de minha avó, contam, em relação a mim, uma hitória de amor e encanto: Quando tinha os meus 4, 5 anos, teimava em brincar com elas, era um prazer tê-las na mão, claro que me eram logo tiradas para não as partir e eu ficava muito triste. Um dia, quando fiz 50 anos, a minha tia Nanã, presenteou-me dizendo: Sempre gostaste das duas jarrinhas verdes de louça, como não tenho mais nada para te dar são elas o meu presente. Não imagimam a emoção que senti e que ainda sinto ao lembrar as suas palavras. Hoje estão na minha casa em lugar de destaque. Continuo ao olhá-las a sentir o mesmo encantamento de quando era menina. Não sei o seu valor nem me interessa, para mim têm o valor de uma vida, acrescido do valor sentimental da oferta que a minha tia me fez.
Esta boneca sempre a conheci em casa de minha avó. Não sei que idade tem, não sei como foi adquirida, sei apenas que sempre gostei dela. Herdei-a por morte da minha tia que por sua vez a tinha herdado da minha avó. Enternece-me olhar para ela e saber que se podesse falar teria muitas histórias para contar.